quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Novo espaço entre dois mundos


Oi pessoas que vivem entre dois mundos: o privado, em Português, e o público, em Inglês…
Compartilho com vocês mais um espaço em que iremos discutir o ensino de Língua Portuguesa fora do Brasil... A partir das próximas semanas, a AOTP (American Organization of Teachers of Portuguese) passará a contribuir para o novo site do Gazeta Brazilian News (gazetanews.com) com dicas, reflexões e informações sobre a promoção da língua portuguesa. Abordaremos a questão que acompanha muitas famílias que criam seus filhos fora do Brasil: como manter a língua e cultura brasileiras paralelamente à educação dos filhos?
Como parte da diretoria da associação, comprometo-me a acatar angústias e questões que nossa comunidade de amigos tenham a endereçar... envie suas ideias para meu email (idestro@yahoo.com.br ou ivianalfa@gmail.com ) ou deixe um comentário aqui no blog (para quem conseguir! hahaha!)...
Grande abraço!

terça-feira, 19 de julho de 2011

A escrita não é um produto escolar

Acompanho a ansiedade de alguns pais para que seus filhos passem a receber logo um ensino sistematizado de leitura-e-escrita, o que geralmente inicia-se para alunos entre os 5 e os 6 anos. Devemos ter consciência de que embora as crianças menores não estejam aprendendo formalmente a ler-e-escrever, elas também estão desenvolvendo esse aprendizado...ele começa em casa, na rua, no museu, no cinema, nos cartazes da escola etc.
A escrita não é um produto escolar, mas sim um objeto cultural, resultado do esforço coletivo da humanidade. Como objeto cultural, a escrita cumpre diversas funções sociais e tem meios concretos de existência (especialmente nas concentrações urbanas). O escrito aparece, para a criança, como objeto com propriedades específicas e como suporte de ações e intercâmbios sociais. Existem inúmeras amostras de inscrições nos mais variados contextos (letreiros, embalagens, tevê, roupas, periódicos etc.). Os adultos fazem anotações, leem cartas, comentam os periódicos, procuram um número de telefone etc. (Emilia Ferreiro, Reflexões sobre alfabetização. São Paulo: Cortez, 2010.)
As crianças desde cedo mostram-se muito curiosas sobre a linguagem escrita e passam a criar hipóteses para compreendê-la. Heitor, meu filhote de 3 anos, está muito curioso pelas letras e aponta-as e exclama algumas delas o tempo todo... e o Victor, de 1 ano, para imitá-lo, começou a apontar cartazes (logicamente, ele não faz distinção entre letras e figuras, se o fizesse, eu o mandaria para Harvard no próximo semestre!!!)
Estamos imersos num mundo de palavras, preste atenção nas hipóteses que seu filhote faz sobre elas. Você pode começar como um jogo de adivinhas: crie uma brincadeira com títulos de livros que vocês leem comumente, desafie-o a interpretar as palavras... mas, por favor, com muita fruição e sem burocracia! 

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Conversa com minha pequena amiga Luana, ou, o que é Literatura?


-Tia Ivian, você é professora de quê?
-No Brasil, eu era professora de Literatura.
-O que é Literatura?
-Literatura é a reunião de certos livros que as pessoas escrevem. Esses livros são especiais e com o tempo cada vez mais as pessoas os querem ler. Às vezes eles são especiais porque contam a história de um jeito envolvente, outras vezes de um jeito diferente, brincando com o jeito de contar. Esses livros podem ser de poemas, de histórias longas, de histórias curtas, de reflexões sobre as coisas da vida... tem uma porção de formas de escrever Literatura. É importante na Literatura o jeito de escrever, como as palavras estão arranjadas no texto: às vezes de um jeito bonito, outras emocionante, ou também de um jeito que intriga as pessoas, deixa elas pensando...
Pequena amiga, gostei muito da nossa conversa e ela continuou dentro de mim...
Gostaria de lhe dizer que a Literatura nasceu da necessidade que as pessoas têm de contar histórias, sempre reinventando as coisas que acontecem ou inventando coisas fantásticas que só podem acontecer no mundo da imaginação e das palavras.
Lembrei-me também de que você já conhece muitas histórias da Literatura. Você já leu Chapeuzinho Vermelho, A branca de neve, A cinderela ou O pequeno polegar? Todas essas histórias foram inventadas há muito tempo pelos Irmãos Grim e são lidas e recontadas desde então porque as pessoas acreditam que elas são muito boas e por isso são chamadas de Literatura.
         Até a próxima!

Ah! Visite o site da autora brasileira Ruth Rocha. Lá você vai encontrar alguns de seus livros, jogos com palavras e outras viagens interessantes.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Polêmica sobre o livro didático brasileiro


Minha gente, tenho recebido e-mails instigando-me a comentar sobre a polêmica do livro didático no Brasil. Infelizmente, ainda não tive acesso ao livro e não posso comentar sobre o que não li... mas compartilho três links com comentários de pessoas que conheço e admiro. Duas entrevistas esclarecedoras sobre o assunto, uma do professor Dr. Ataliba Castilho (linguista, gramático e professor aposentado da USP e UNICAMP) e outra do professor Dr. José Luiz Fiorin, linguista e professor da USP. Há ainda o comentário intrigante do linguista e professor da UNB, Marcos Bagno, um mestre sobre o assunto preconceito linguístico.
Sei que é muita informação, mas para mim, esses textos colocaram todos "os pingos nos is".
A bênção professores!




Obs: si ocê quisé passá lá em casa pra dois dedinho de prosa sobre o assunto, tem sempre bolo e café cum leite prá animá a tarde. Afinar, é bom sê caipira, sô!

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Tupi or not Tupi...

Preparei uma apresentação sobre Oswald de Andrade para o Boletim da AOTP.
Afinal, brasileiros e brasileiras... quem não for antropofágico, será devorado!
Brasileiros e brasileiras de qualquer canto

domingo, 8 de maio de 2011

Minha gente, Macunaíma foi conhecer Washington!

Brasileiros e brasileiras... é que me aventurei pelas plagas da Georgetown University para encontrar gente que fala a minha língua (a língua dos literatos, claro, porque português quase todos os vendedores dos shoppings de Miami já estão falando – hahaha!).
Participei de uma Oficina sobre Português como Língua de Herança (PLH) em Washington e aqui compartilho algo:
Os aprendizes de herança foram expostos a uma língua-cultura com a qual mantêm uma conexão pessoal. Essa língua não aprendem na escola, mas em casa, com a família. Falam, ou não (apenas entendem) e geralmente não a escrevem.
Segundo as professoras Dra. Clémence Jouêt-Pastre (Harvard University) e Dra. Gláucia Silva (University of Massachusetts, Dartmouth), o grande desafio que esses sujeitos enfrentam é o desenvolvimento dos registros formais da língua falada e escrita.
No caso dos filhos dos imigrantes daqui (EUA), o inglês é a língua da escolaridade, portanto terão acesso a seus vários registros (escrito formal urbano, escrito informal, falado formal culto, falado informal, etc). Dessa forma, nossos filhos serão linguisticamente eficientes na língua escolar (o inglês) nos mais variados contextos sociais.
No caso dos aprendizes de herança o que ocorre, geralmente, é conviverem apenas com o registro oral informal do ambiente familiar e serem ineficientes nos outros registros.
E agora, jacaré? Bem, Macunaíma saiu do Amazonas, arriscou-se em sua odisseia em busca da muiraquitã, foi para São Paulo e conheceu os registros e a variedade cultural brasileira... Nossos pequenos, às vezes sapecas que nem o herói, devem seguir a trajetória de Macunaíma e ter acesso aos mais variados registros culturais (falado, escrito, formal, informal, etc)...
Sigamos a perspicácia de Mário de Andrade: em matéria de identidade e de cultura a diversidade é riqueza! 
Aqui vai mais sobre PLH:

segunda-feira, 2 de maio de 2011

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Desafio

xilogravura: Desafio rabeca e viola

O folclore brasileiro é um riquíssimo depósito de conhecimento humano a respeito de vida e do mundo, como afirmou Ricardo Azevedo, escritor e pesquisador. Além das parlendas e quadras, o folclore brasileiro está repleto de adivinhas, desafios que geralmente iniciam com – o que é, o que é? Lembro-me com saudade dessa brincadeira comum em nossa infância, nas viagens para o sítio. Esse jogo lúdico (que brinca com a linguagem, com a memória e com a associação) aproxima pais e filhos, como também estreita os laços com a língua. Desafio:

O que é, o que é:
Que coisa, que coisa é
Passa a vida na janela
E mesmo dentro de casa
Está fora dela?

O que é, o que é:
É água e não vem do mar
Nem na terra não nasceu
Do céu ela não caiu
Todo mundo já lambeu?

Aqui vai uma ótima fonte de pesquisa sobre cultura popular brasileira: http://www.ricardoazevedo.com.br/menu.htm

Respostas: botão; lágrima.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Parlendas: você se lembra de uma?

Um vizinho sempre brinca com o Heitor: -Knock, Knock? Who´s there? (brincadeira linguística típica da língua inglesa: Toc, Toc? Quem é?). Os jogos linguísticos nascem na coletividade, são transmitidos pelas gerações e fazem parte de uma  identidade cultural como as parlendas e as quadras do folclore brasileiro. 
As quadras são brincadeiras de quatro versos como:
Lá no fundo do quintal
Tem um tacho de melado
Quem não sabe cantar verso
É melhor ficar calado.
(extraído de Armazém do Folclore de Ricardo Azevedo)
Já as parlendas são arranjos rítmicos que buscam ensinar algo ou entreter, como ❝Hoje é domingo, pede cachimbo...❞.
Brincar com esse repertório da oralidade é um modo de introduzir nossos pequenos ao universo da poesia com suas rimas e jogos. Aqui vai um link para uma coletânea de parlendas e quadras para os brasileiros que já se esqueceram de brincar com as palavras. coletânea de parlendas e quadras