quarta-feira, 22 de junho de 2011

Conversa com minha pequena amiga Luana, ou, o que é Literatura?


-Tia Ivian, você é professora de quê?
-No Brasil, eu era professora de Literatura.
-O que é Literatura?
-Literatura é a reunião de certos livros que as pessoas escrevem. Esses livros são especiais e com o tempo cada vez mais as pessoas os querem ler. Às vezes eles são especiais porque contam a história de um jeito envolvente, outras vezes de um jeito diferente, brincando com o jeito de contar. Esses livros podem ser de poemas, de histórias longas, de histórias curtas, de reflexões sobre as coisas da vida... tem uma porção de formas de escrever Literatura. É importante na Literatura o jeito de escrever, como as palavras estão arranjadas no texto: às vezes de um jeito bonito, outras emocionante, ou também de um jeito que intriga as pessoas, deixa elas pensando...
Pequena amiga, gostei muito da nossa conversa e ela continuou dentro de mim...
Gostaria de lhe dizer que a Literatura nasceu da necessidade que as pessoas têm de contar histórias, sempre reinventando as coisas que acontecem ou inventando coisas fantásticas que só podem acontecer no mundo da imaginação e das palavras.
Lembrei-me também de que você já conhece muitas histórias da Literatura. Você já leu Chapeuzinho Vermelho, A branca de neve, A cinderela ou O pequeno polegar? Todas essas histórias foram inventadas há muito tempo pelos Irmãos Grim e são lidas e recontadas desde então porque as pessoas acreditam que elas são muito boas e por isso são chamadas de Literatura.
         Até a próxima!

Ah! Visite o site da autora brasileira Ruth Rocha. Lá você vai encontrar alguns de seus livros, jogos com palavras e outras viagens interessantes.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Polêmica sobre o livro didático brasileiro


Minha gente, tenho recebido e-mails instigando-me a comentar sobre a polêmica do livro didático no Brasil. Infelizmente, ainda não tive acesso ao livro e não posso comentar sobre o que não li... mas compartilho três links com comentários de pessoas que conheço e admiro. Duas entrevistas esclarecedoras sobre o assunto, uma do professor Dr. Ataliba Castilho (linguista, gramático e professor aposentado da USP e UNICAMP) e outra do professor Dr. José Luiz Fiorin, linguista e professor da USP. Há ainda o comentário intrigante do linguista e professor da UNB, Marcos Bagno, um mestre sobre o assunto preconceito linguístico.
Sei que é muita informação, mas para mim, esses textos colocaram todos "os pingos nos is".
A bênção professores!




Obs: si ocê quisé passá lá em casa pra dois dedinho de prosa sobre o assunto, tem sempre bolo e café cum leite prá animá a tarde. Afinar, é bom sê caipira, sô!

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Tupi or not Tupi...

Preparei uma apresentação sobre Oswald de Andrade para o Boletim da AOTP.
Afinal, brasileiros e brasileiras... quem não for antropofágico, será devorado!
Brasileiros e brasileiras de qualquer canto

domingo, 8 de maio de 2011

Minha gente, Macunaíma foi conhecer Washington!

Brasileiros e brasileiras... é que me aventurei pelas plagas da Georgetown University para encontrar gente que fala a minha língua (a língua dos literatos, claro, porque português quase todos os vendedores dos shoppings de Miami já estão falando – hahaha!).
Participei de uma Oficina sobre Português como Língua de Herança (PLH) em Washington e aqui compartilho algo:
Os aprendizes de herança foram expostos a uma língua-cultura com a qual mantêm uma conexão pessoal. Essa língua não aprendem na escola, mas em casa, com a família. Falam, ou não (apenas entendem) e geralmente não a escrevem.
Segundo as professoras Dra. Clémence Jouêt-Pastre (Harvard University) e Dra. Gláucia Silva (University of Massachusetts, Dartmouth), o grande desafio que esses sujeitos enfrentam é o desenvolvimento dos registros formais da língua falada e escrita.
No caso dos filhos dos imigrantes daqui (EUA), o inglês é a língua da escolaridade, portanto terão acesso a seus vários registros (escrito formal urbano, escrito informal, falado formal culto, falado informal, etc). Dessa forma, nossos filhos serão linguisticamente eficientes na língua escolar (o inglês) nos mais variados contextos sociais.
No caso dos aprendizes de herança o que ocorre, geralmente, é conviverem apenas com o registro oral informal do ambiente familiar e serem ineficientes nos outros registros.
E agora, jacaré? Bem, Macunaíma saiu do Amazonas, arriscou-se em sua odisseia em busca da muiraquitã, foi para São Paulo e conheceu os registros e a variedade cultural brasileira... Nossos pequenos, às vezes sapecas que nem o herói, devem seguir a trajetória de Macunaíma e ter acesso aos mais variados registros culturais (falado, escrito, formal, informal, etc)...
Sigamos a perspicácia de Mário de Andrade: em matéria de identidade e de cultura a diversidade é riqueza! 
Aqui vai mais sobre PLH:

segunda-feira, 2 de maio de 2011

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Desafio

xilogravura: Desafio rabeca e viola

O folclore brasileiro é um riquíssimo depósito de conhecimento humano a respeito de vida e do mundo, como afirmou Ricardo Azevedo, escritor e pesquisador. Além das parlendas e quadras, o folclore brasileiro está repleto de adivinhas, desafios que geralmente iniciam com – o que é, o que é? Lembro-me com saudade dessa brincadeira comum em nossa infância, nas viagens para o sítio. Esse jogo lúdico (que brinca com a linguagem, com a memória e com a associação) aproxima pais e filhos, como também estreita os laços com a língua. Desafio:

O que é, o que é:
Que coisa, que coisa é
Passa a vida na janela
E mesmo dentro de casa
Está fora dela?

O que é, o que é:
É água e não vem do mar
Nem na terra não nasceu
Do céu ela não caiu
Todo mundo já lambeu?

Aqui vai uma ótima fonte de pesquisa sobre cultura popular brasileira: http://www.ricardoazevedo.com.br/menu.htm

Respostas: botão; lágrima.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Parlendas: você se lembra de uma?

Um vizinho sempre brinca com o Heitor: -Knock, Knock? Who´s there? (brincadeira linguística típica da língua inglesa: Toc, Toc? Quem é?). Os jogos linguísticos nascem na coletividade, são transmitidos pelas gerações e fazem parte de uma  identidade cultural como as parlendas e as quadras do folclore brasileiro
As quadras são brincadeiras de quatro versos como:
Lá no fundo do quintal
Tem um tacho de melado
Quem não sabe cantar verso
É melhor ficar calado.
(extraído de Armazém do Folclore de Ricardo Azevedo)
Já as parlendas são arranjos rítmicos que buscam ensinar algo ou entreter, como Hoje é domingo, pede cachimbo....
Brincar com esse repertório da oralidade é um modo de introduzir nossos pequenos ao universo da poesia com suas rimas e jogos. Aqui vai um link para uma coletânea de parlendas e quadras para os brasileiros que já se esqueceram de brincar com as palavras. coletânea de parlendas e quadras

segunda-feira, 21 de março de 2011

Repertório da oralidade


Pessoas queridas vêm contribuindo para o blog. Dalila lembrou-me das concepções e experiências de nosso professor e amigo Claudemir Belintane (Pedagogia USP). Contar histórias e pedir para os pequenos recontá-las ajudando-os a perceberem o sentido de progressão; selecionar músicas do cancioneiro nacional, adivinhas e trava-línguas para memorizar e brincar. Por estarmos distantes do Brasil, compete a nós, pais, transmitirmos esse repertório de músicas, trava-línguas, parlendas e histórias. Reproduzo um trecho de uma entrevista com o Prof. Dr. Claudemir Belintane extraída da internet:
Quais relações propiciadas pela oralidade podem ser úteis mais tarde no domínio da leitura e da escrita?A oralidade é esse conjunto de textos que a tradição vem peneirando ao longo do tempo e tornando cada vez mais bonitos e interessantes. A narrativa tem uma contribuição fundamental, trazendo essa progressão textual, vocabulário, o volume de texto manejado na memória. A narrativa é um grande estruturador da memória, não só na infância como na própria tradição das culturas. Os textos poéticos são o inverso. As brincadeiras todas que as crianças fazem são textos poéticos, como o trava-língua, que é musical, tem o efeito da paronomásia, efeitos de estilo. As parlendas trazem o non sense como trabalho com a beleza do significante, e também destacam a palavra, escandindo-a, isolando fragmentos.
Aqui vai o link para a leitura integral da entrevista que o Prof. Dr. Claudemir deu comentando alfabetização e oralidade: entrevista

quinta-feira, 10 de março de 2011

Provocação


Durante 1 semana preparei uma apresentação sobre o Carnaval para os colegas do Heitor (todos têm 3 anos e estão num contexto multicultural – na sala, ao todo, são 6 línguas faladas). Estava ansiosa quando alguém exclamou: mas eles são apenas crianças de 3 anos!!!
A infância é um conceito historicamente construído e a criança, por muito tempo, não foi vista como um ser em desenvolvimento, com características e necessidades próprias.
No século XIII, atribuía-se à criança sentimentos e pensamentos anteriores à razão. No séc XVI, um marco importante foi a criação da escola como período de preparação para se integrarem ao mundo dos adultos. No entanto, nesse momento as crianças ainda eram consideradas adultos imperfeitos. No Sec XVIII, Rousseau promoveu uma revolução ao afirmar que a criança é um ser com características próprias em suas idéias e interesses. Formulou princípios educacionais que inspiram os pedagogos até hoje por afirmar que a verdadeira finalidade da educação era ensinar a criança a viver e a aprender a exercer a liberdade.
No século XX, muitos pedagogos e psicólogos contribuíram para cada vez mais respeitar-se esse período singular. As crianças não são ❝páginas em branco a serem preenchidas❝, elas sentem e pensam o mundo, num trabalho de significação e ressignificação. Elas têm um jeito próprio de construírem conhecimento utilizando as mais diferentes linguagens e exercendo a capacidade de  terem idéias e hipóteses originais sobre aquilo que procuram desvendar.
Aqui vai uma foto do Heitor, com 1 ano e meio, produzindo conhecimento e desenvolvendo sua sensibilidade artística: