Oi! Neste espaço vou compartilhar minha experiência como professora e pesquisadora sobre línguas de herança.
segunda-feira, 18 de junho de 2012
quinta-feira, 14 de junho de 2012
Aula desta semana: Volpi e festa junina
Nesta aula, as expectativas de aprendizagem eram:
O reconhecimento fônico e gráfico do alfabeto em língua portuguesa
(escrita do nome e reconhecimento de vogais);
Trabalho com dicção de sons em língua portuguesa;
Aumento do vocabulário em língua portuguesa;
Trabalhar os conhecimentos de música, folclore, artes visuais e
literatura por meio do tema Festa Junina;
Criar uma relação de identidade com o ser brasileiro (língua-cultura);
A aula hoje se concentrou na aquisição do vocabulário sobre elementos
comuns nas festas juninas, a confecção do cartaz para trabalhar vocabulário foi
eficaz. A música criou um envolvimento e serviu como suporte de memorização.
Aproveitei para apresentar o ritmo forró e para introduzir a cultura do Brasil
rural. Também projetei obras de Alfredo Volpi e eles compararam as bandeirinhas
e o uso de cores e formas.
Grande abraço
Ivian
terça-feira, 29 de maio de 2012
De grão em grão...
Olá a todos!
Nas conversas sobre bilinguismo e língua de herança que tenho organizado com as famílias, uma questão comum é: Quais livros em português oferecer para as crianças lerem?
Vale lembrar que a leitura (mesmo que alguém leia para a criança) e o reconto da estória (feito pela criança) são atividades muito eficazes para a manutenção da língua de herança, pois envolvem uma participação ativa na interação linguística.
Em meu trabalho com língua de herança, proponho que o ensino-aprendizagem faça conhecer, interpretar, usufruir e produzir diversos objetos culturais brasileiros. Para isso, utilizo bens culturais como literatura, música, artes visuais, dança, folclore, entre outros.
Para as crianças que já iniciaram a ler indico uma seleção de livros de literatura infantil brasileira feita por professores. Cliquem e imprimam!
Cada vez que vou ao Brasil, ou quando alguém da família vem nos visitar, mais um livro é adicionado à nossa biblioteca...
Uma língua se sustenta e se desenvolve cotidianamente. De grão em grão...
Lista de livros de literatura infantil em português
Nas conversas sobre bilinguismo e língua de herança que tenho organizado com as famílias, uma questão comum é: Quais livros em português oferecer para as crianças lerem?
Vale lembrar que a leitura (mesmo que alguém leia para a criança) e o reconto da estória (feito pela criança) são atividades muito eficazes para a manutenção da língua de herança, pois envolvem uma participação ativa na interação linguística.
Em meu trabalho com língua de herança, proponho que o ensino-aprendizagem faça conhecer, interpretar, usufruir e produzir diversos objetos culturais brasileiros. Para isso, utilizo bens culturais como literatura, música, artes visuais, dança, folclore, entre outros.
Para as crianças que já iniciaram a ler indico uma seleção de livros de literatura infantil brasileira feita por professores. Cliquem e imprimam!
Cada vez que vou ao Brasil, ou quando alguém da família vem nos visitar, mais um livro é adicionado à nossa biblioteca...
Uma língua se sustenta e se desenvolve cotidianamente. De grão em grão...
Lista de livros de literatura infantil em português
domingo, 1 de abril de 2012
II Curso do Programa de Formação de Professores de Português como Língua de Herança – Etapa de Miami
O Consulado-Geral do Brasil em Miami promoverá, entre
os dias 20 a 22 de abril próximo, na Universidade Internacional da Flórida
(FIU) em Miami, um curso para professores de Português como Língua de Herança (PLH).
O curso será gratuito, terá carga horária
de 25 horas e admitirá até 50 alunos, selecionados mediante análise de
currículos, os quais deverão ser enviados ao endereço eletrônico da Divisão de
Promoção da Língua Portuguesa (DPLP) – dplp@itamaraty.gov.br . O prazo
final para as inscrições é 5 de abril de 2012.
Nele, vou discutir minhas pesquisas no mestrado que faço na FIU sobre a construção do currículo de PLH e compartilhar minha experiência com alfabetização e letramento de crianças bilíngues. O evento, preparado e
coordenado pela Professora Doutora Edleise Mendes, da Universidade
Federal da Bahia, incluirá também exposições da Professora Doutora Clémence
Jouët-Pastrè, da Universidade Harvard. Os certificados do curso serão emitidos pela
Universidade de Brasília (UnB).
quinta-feira, 22 de março de 2012
Você é bilíngue?
Você provavelmente
já ouviu alguns desses comentários: pessoas bilíngues são raras e têm igual e
perfeito domínio sobre as línguas que conhecem; bilíngues de verdade são
aqueles que aprenderam as línguas quando criança e as falam sem sotaque;
bilíngues são tradutores natos; alternar entre duas ou mais línguas numa mesma
conversa é sinal de preguiça; todos os bilíngues são bi-culturais; o
bilinguismo vai atrasar ou causar efeitos negativos no desenvolvimento de uma
criança.
Esses são alguns
mitos que o professor emérito François Grosjean desmitifica em seu livro Bilingual: Life and Reality (Harvard
University Press, 2010). Como um especialista no assunto ele já percorreu a
Universidade de Paris, Universidade de Northeastern (Boston), MIT e ultimamente
leciona e pesquisa na Universidade de Neuchâtel, Suíça.
Grosjean chama
a atenção de que muitas vezes não nos damos conta de que o bilinguismo é um
fenômeno muito comum e está presente na maioria dos países do mundo,
percorrendo todas as idades e todos os
grupos sociais. Atualmente, estima-se que metade da população mundial é
bilíngue. Tomemos como exemplo o Brasil: calcula-se que existem em torno de 180
línguas utilizadas no país, a grande maioria línguas indígenas, mas esse número
também refere-se a imigrantes e descendentes de imigrantes que utilizam sua língua
cotidianamente em sua comunidade. Exemplo disso é o pomerano, um dialeto alemão
utilizado em Pomerode, um município de Santa Catarina.
Para
elucidar algumas questões, o professor explica que muitas vezes as pessoas
consideram o bilinguismo a partir da questão da fluência que o sujeito tem de
uma língua, enquanto que atualmente se pensa esse conceito relacionando-o ao
uso:
O alcance de quem pode ser considerado
bilíngue aumenta consideravelmente quando nos concentramos no uso da língua. Num
extremo concebemos bilíngue o trabalhador imigrante que pode falar com alguma dificuldade
a língua do país em que vive. E no outro extremo, temos o profissional
intérprete que é fluente em duas línguas. Entre esses extremos encontramos
cientistas que leem e escrevem artigos numa segunda língua mas que raramente a
falam, a mulher do imigrante que interage com suas amigas em sua primeira
língua, o membro de uma minoria linguística que utiliza sua primeira língua
apenas em casa e a língua da sociedade em que vive para todos os outros
domínios, a pessoa surda que utiliza a linguagem de sinais com seus amigos mas
que utiliza outra língua (geralmente na forma escrita) com uma pessoa que ouve,
e assim continua. Para além da grande diversidade entre essas pessoas, todas
elas têm algo em comum: elas conduzem suas vidas em duas ou mais línguas.
(François Grosjean, tradução minha)
Em
suas discussões Grosjean aborda a angústia de famílias que querem criar seus
filhos como bilíngues. Segundo ele, o que é relevante para a manutenção de uma
língua é atentar para questões como a quantidade de exposição às línguas que
queremos transmitir e manter, a necessidade do uso delas e a natureza dos
recursos que utilizamos para a transmissão e manutenção.
É a
necessidade de interação com as pessoas no cotidiano (falar, brincar, cantar,
ouvir, ler) e não a imposição dos pais que determinará o desenvolvimento de uma
língua. Grosjean aconselha criar situações em que os interlocutores das crianças
não conheçam a outra língua. Pensemos como exemplo os pais que vivem nos EUA e
estão preocupados com a manutenção do português, eles podem aproveitar as
viagens ao Brasil, a visita de parentes, as conversas por telefone ou por skype com brasileiros para expor as
crianças a situações monolíngues, isto é, em que elas necessitem procurar
recursos para se expressar em português sem fazer empréstimos do inglês. No
cotidiano de uma pessoa bilíngue os empréstimos são comuns, mas será vantajoso
criar circunstâncias em que as crianças em que atuem como monolíngues.
Para os filhos adolescentes,
Grosjean incentiva que os pais abordem o tema bilinguismo acatando as angústias
e buscando esclarecer as situações vividas. Afinal, em grande parte dos EUA o
bilinguismo é um fenômeno vivido cotidianamente, às vezes de forma conflituosa,
outras, em que as riquezas dos intercâmbios culturais são valorizados e
aproveitados.
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
PALAVRA Curso de Português Língua de Herança
A Palavra Mágica
Certa palavra dorme na sombra
de um livro raro.
Como desencantá-la?
É a senha da vida
a senha do mundo.
Vou procurá-la.
Vou procurá-la a vida inteira
no mundo todo.
Se tarda o encontro, se não a
encontro,
não desanimo,
procuro sempre.
Procuro sempre, e minha procura
ficará sendo
minha palavra.
Carlos Drummond de Andrade in Música de Fundo
Português Língua de
Herança, Português Língua Segunda (L2)
Uma língua é um elo social de
comunicação, ao mesmo tempo em que é um elo de identidade cultural e étnico. A Língua Segunda ou de Herança é uma língua que circula com
restrições, limitada a um grupo social ou ao ambiente familiar, e que convive
com outra(s) língua(s) que circula(m) socialmente nas mídias ou instituições.
· Pressupostos
pedagógicos
A língua não é um código a ser
decifrado, mas um meio de representação a ser apropriado para a expressão da
identidade e para a participação nos discursos utilizados pela sociedade. Nesse
sentindo, proponho que o ensino-aprendizagem da língua portuguesa de herança faça
conhecer, interpretar, usufruir e produzir as modalidades dos discursos. Os
materiais variarão entre os registros formal e informal e utilizarão diversos
suportes visando o desenvolvimento da fala, leitura e interpretação de objetos
culturais brasileiros. Para isso, utilizarei bens culturais como literatura,
música, artes visuais, dança, folclore, entre outros.
Se você deseja que seu filho mantenha o Português e desenvolva as habilidades de leitura e escrita por meio do conhecimento da cultura brasileira, vamos conversar!
idestro@yahoo.com.br
sábado, 10 de dezembro de 2011
A MALA
(Este texto foi publicado pelo jornal Gazeta Brazilian News no dia 09 de dezembro de 2011)
Um
dia, uma professora inexperiente, porém inquieta por atiçar a fagulha do prazer
de ler em seus alunos, comprou uma mala. Nela, colocou os livros de poemas que
mais gostava de ler e partiu para a sala de aula. Lá chegando disse: - Aqui
compartilho aqueles que eu leio por prazer. Desafio encontrarem pelo menos um
poema de que gostem e queiram compartilhar também.
O que
aconteceu, não sabia explicar, mas naquele dia os alunos abriram os livros
curiosos. Uns conversavam sobre o que liam, outros procuravam em silêncio, mas
todos, sem exceção, liam poemas.
Esta
crônica representa uma ideia simples, poderosa e que todo mundo sabe: ler é
bom. Porém, o que é novo na atitude da inquieta professora é que muitas vezes,
nós, pais e professores, geralmente falamos sobre como ler é bom, mas quantas
vezes oferecemos um livro interessante para que nossos filhos e alunos leiam
por prazer, livremente?
Nas últimas décadas, há muitas pesquisas que comprovam
as vantagens da leitura livre para o desenvolvimento das habilidades de ler e
escrever, da manipulação da gramática e do vocabulário, como também para todas
as tarefas que exigem interpretação. Essas vantagens são percebidas na
aprendizagem da língua materna ou de uma segunda língua, em crianças e em
adultos, quando passam a ler livros livremente, por prazer.
As pesquisas também mostram que é desnecessário dizer
para crianças e jovens que ler é bom, a massiva maioria concorda e, criadas as
circunstâncias, eles lerão. A tarefa que nos cabe então é criar a circunstância
(que se tornará um círculo vicioso): dar acesso a livros interessantes e deixar
que leiam fará com que queiram ler mais.
Agora, pensemos o quanto isso pode ser vantajoso no
ensino da língua de herança para nossos filhos e alunos. No entanto, aqui, a
questão do acesso torna-se ainda mais problemática e desafiadora para p)﷽﷽﷽﷽﷽﷽﷽﷽riar umlerão. A tarefatura infantil
parentes. Sempre que me perguntam que presente dar a meus filhos eu respondo,
livrais e professores.
Além de comprar livros em todas as viagens ao Brasil,
uma solução que encontrei para alimentar minha pequena biblioteca em língua
portuguesa são as visitas de parentes. Sempre que um parente que vive no Brasil
me pergunta qual presente dar a meus filhos eu respondo: literatura infantil
(de qualquer país), mas em língua portuguesa.
Mas também poderíamos encarar o desafio do acesso
coletivamente, como uma comunidade. Primeiro, criar formas de fomentar as
bibliotecas das escolas que nossos filhos frequentam com livros em nosso
idioma; segundo, criar bibliotecas comunitárias em língua portuguesa, que podem,
inclusive, ser móveis e viajarem por aí, como se fossem gigantescas malas de
livros.
Ler é bom porque as palavras precisam ser preenchidas
por nossa imaginação. Ler é bom porque é prazeroso envolver nossas sensações em
um outro ser e estar que não tem os limites da nossa realidade. Vamos fazer
nossas malas?
· Se
você quiser ler uma pesquisa sobre a leitura livre:
Stephen D. Krashen. The Power of Reading: Insights from the research. USA: Libraries
Unlimited.
· Podemos
também utilizar os novos suportes (computadores, tabletes e telefones) para
oferecer bons livros para nossos pequenos leitores. Confira:
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Nossa língua, que herança?
Confira neste link o terceiro artigo que escrevi para o Gazeta Brazilian News.
http://gazetanews.com/colunas/nossa-lingua-que-heranca-nosso-idioma/
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Entre dois Mundos (novo texto no Gazeta Brazilian News)
Como muitos
imigrantes nos EUA, os brasileiros comumente vivem entre dois mundos: o
privado, em que falam português e no qual tentam preservar alguma identidade
cultural, e o público, em inglês. Dessa
forma, muitas famílias preocupam-se com a habilidade de seus filhos em
manipular a língua portuguesa, sejam eles nascidos no Brasil ou não. É uma
questão de identidade, de preservação dos laços familiares e de oportunidades
futuras.
Nós, pesquisadores, chamamos de Língua de Herança essa língua que circula com restrições,
limitada a um grupo social ou ao ambiente familiar, e que convive com outra
língua predominante que circula socialmente em mídias e instituições.
É muito
comum os “falantes de
herança” aprenderem o vocabulário utilizado no ambiente
familiar e, quando não recebem instrução formal, delimitarem-se apenas ao
conhecimento desse registro oral. Para desenvolver a capacidade oral e escrita
em vários registros linguísticos diferentes, incorporando traços de uma
variante linguística de prestígio, é preciso receber instrução.
Geralmente,
após iniciar a imersão escolar em inglês observamos uma mudança na língua
dominante de nossos filhos. A língua maternal, no nosso caso o português
variante brasileira, passa a ser menos utilizada e torna-se a “língua fraca”.
Essa situação se acelera quando os pais acreditam que falando inglês com seus
filhos, ajudarão no bom desempenho deles na escola. É importante sabermos que nas
pesquisas realizadas aqui nos EUA, essa crença parece não se mostrar
verdadeira: o fato de os pais falarem inglês com seus filhos não garante que
eles tenham melhor desempenho escolar, no entanto isso contribui para que
nossos filhos percam sua língua de herança.
Os
estudos indicam que é melhor que os pais mantenham a língua materna, pois como
eles a conhecem melhor (geralmente possuem habilidade linguística de nativos),
podem proporcionar um contato mais rico e mais elaborado com essa língua que
dominam. Preservar a língua do mundo familiar é uma questão de identidade, mas
também de criar oportunidades para as crianças continuarem o desenvolvimento
cognitivo e emocional (autoestima) em sua língua de herança.
Viver
entre dois mundos linguísticos requer cuidados, mas é importante lembrarmos que
uma língua não é uma disciplina escolar, é um objeto cultural que faz
comunicar, criar intercâmbios. Aproveitemos as oportunidades para enriquecer o
contato com o português em nosso mundo familiar ao utilizá-lo em sua função
concreta de estabelecer relações: escrever um bilhete, ler um jornal, comentar
um programa de televisão, etc.
De
forma criativa e alegre, vamos procurar oferecer textos de vários contextos e
registros e utilizá-los para conversas e brincadeiras com nossos filhos?
http://gazetanews.com/colunas/entre-dois-mundos-nosso-idioma/
http://gazetanews.com/colunas/entre-dois-mundos-nosso-idioma/
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Os falantes invisíveis
Somos 300 mil
brasileiros na Flórida, segundo relatório de 2010 do Ministério das Relações
Exteriores (Brasil), e uma das nossas necessidades é a ampliação da oferta do
ensino de português para nossos filhos nas escolas. Como educadora e
pesquisadora, tomei a questão como um desafio e iniciei uma pesquisa sobre
falantes de português nos EUA.
Debrucei-me
sobre dados recentes do U.S. Census
comparando-os com o relatório “Brasileiros no Mundo” do Ministério das Relações
Exteriores (Brasil). A disparidade entre eles é intrigante.
Havia, segundo
o censo americano, 661.437 falantes de português vivendo nos EUA em 2008. Esse número
refletiria os falantes de português provindos de todos os países: Portugal,
Brasil, Angola, Cabo Verde, Timor Leste, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e
Príncipe. No entanto, segundo
o relatório do MRE de 2008, a estimativa apenas de brasileiros era de 1.278.650
(número baseado em serviços prestados pelos postos consulares). No último
relatório do MRE seríamos atualmente 1.388.000 brasileiros nos EUA.
Por que tantos
falantes de português não aparecem na contagem americana? Uma implicação direta
dessa invisibilidade é a significativa falta de escolas que oferecem o
português como programa complementar ou como educação bilíngue.
Considero
algumas hipóteses para explicar essa invisibilidade intrigante. Uma, é de que
muitos brasileiros não participam do Censo americano por medo de que seus dados
sejam revelados. O que dizer a esses brasileiros? Os dados do Censo são
protegidos por leis rigorosas e esse medo mostra-se irracional.
Levanto ainda a
hipótese de que alguns falantes de português não se classificam corretamente ao
responderem à pesquisa. o se
classificam corretamente ao responderem a folhaorreta. jam revelados. Mas
sabemos que os dados do Censo sPrimeiramente porque os brasileiros não
representam uma categoria clara e acabam misturados à classificação de Hispanic or Latino na folha de respostas.
A segunda questão é que muitos falantes de português classificam-se
erroneamente no critério “língua falada em casa”.
Sim, desde
criança nos ensinam que somos integrantes da América Latina, mas para o Censo
americano a categoria Latino
refere-se aos povos de cultura espanhola. Portanto, quando nos assinalamos como
Hispanic or Latino na folha de
resposta, estamos deixando de ser contados como um povo que pertence à cultura
dos falantes de português.
A outra
hipótese para explicar porque somos invisíveis nos EUA é de que muitos falantes
de português marcam incorretamente a opção “língua falada em
casa” . Na folha da pesquisa americana
aparece a opção língua “indo-europeia”, na qual se encaixa o português. Mas
acredito que muitos se classificam na opção “outras”. A implicação disso tudo: nossos
impostos não se destinam para escolas oferecerem o ensino de português.
Nossos filhos
apenas desenvolverão a capacidade plena de usar a língua portuguesa em seus
diversos registros se receberem instrução. É preciso organizar grupos e mostrar
essa necessidade nas escolas de nossa região. Somos muitos, mas somos minoria.
Nossas necessidades precisam ser contempladas, mas primeiro, precisamos nos
tornar visíveis e nos fazer ouvir.
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