Oi! Neste espaço vou compartilhar minha experiência como professora e pesquisadora sobre línguas de herança.
segunda-feira, 14 de julho de 2014
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
Recomendo a leitura!!! lagarta pintada | pais e educação | desenvolvimento infantil: Famílias em trânsito
lagarta pintada | pais e educação | desenvolvimento infantil: Famílias em trânsito: Por Felicia Jennings-Winterle Em tempos pós-modernos como os nossos, o mosaico formado pelos diferentes tipos de famílias é coloridí...
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
Multiculturalismo como princípio curricular
Sonia Nieto (Nieto, 2002) observou que, nos Estados
Unidos, os estudantes bilíngues oriundos de minorias geralmente vivem um
conflito ideológico, pois há uma mentalidade predominante de exclusão na
construção de identidades.
Essas crianças e jovens são implicitamente impelidos a
escolher pertencer a uma minoria, ou ser americano: “ou um ou outro”. A
ideologia dessa mentalidade é a assimilação, pois para pertencer à identidade americana,
as crianças e jovens abandonam a cultura, a identidade e a língua de suas
famílias. Muitas vezes, esse processo é gradativo e se inicia com a entrada da
criança na escola.
Por
que crianças e jovens bilíngues oriundos de minorias não podem pertencer a
múltiplas culturas? Por que eles não podem assumir uma identidade híbrida?
Essas questões são levantadas por professores e estudiosos que entendem
identidade e cultura como pertencimentos múltiplos e mutáveis. É fundamental
que professores, coordenadores, comunidade e sociedade compreendam que as
crianças e jovens de famílias minoritárias participam simultaneamente de duas
ou mais culturas.
De forma a combater a ideologia de assimilação, Nieto defende
que uma educação multicultural seja um princípio curricular para todos os
estudantes e não apenas para aqueles oriundos de minorias. Esse princípio
rejeita todas as formas de discriminação nas escolas e na sociedade e está
baseado na afirmaçpio
curricularuralismofases, desde o estabelecimento de princão da
pluralidade pelos professores, pelos estudantes, pelas comunidades e pela sociedade.
Para representar uma sociedade diversa, o conceito de multiculturalismo deve permear a
elaboração do currículo em todas as duas fases, desde o estabelecimento de
princípios norteadores até a seleção de conteúdos e métodos.
As escolas comunitárias e os professores de língua de
herança também devem sustentar seus currículos numa educação multicultural. Consequentemente,
é preciso que o professor, o coordenador e o administrador combatam o discurso
da assimilação não impondo os limites de suas próprias identidades, mas
afirmando um pertencimento plural.
Referência:
Nieto,
S. (2002). Language, culture, and
teaching: Critical perspectives for a new century. Mahwah, NJ: Lawrence
Erlbaum Association.
Texto publicado no site da Sociedade de Linguística Aplicada http://sala.org.br/index.php/estante/colunas/portugues-como-lingua-de-heranca/842-multiculturalismo-como-principio-curricular
domingo, 5 de maio de 2013
Vamos combater os mitos sobre o bilinguismo infantil?
O bilinguismo é
um fenômeno complexo e muitas vezes não nos damos conta de que é muito comum e
está presente na maioria dos países do mundo, percorrendo todas as idades e
todos os grupos sociais. Atualmente, estima-se que metade da população mundial
seja bilíngue.
É comum que famílias brasileiras que emigraram convivam com dúvidas
sobre como criar seus filhos bilíngues. Primeiramente, é preciso entender que a
manutenção da língua portuguesa no ambiente familiar é uma escolha e
responsabilidade dos pais: a família deve conversar sobre o assunto e tomar uma
decisão. Também é importante conhecer os mitos sobre o bilinguismo infantil e
os argumentos para combatê-los. Dessa forma é possível proteger a família de
conselhos que ignoram os dados das pesquisas científicas das últimas décadas. Vejamos
alguns mitos e como combatê-los:
- · Ser bilíngue é ter igual fluência em duas ou mais línguas.
É raro
encontrar uma pessoa que tenha igual fluência em duas ou mais línguas que
conheça e utilize. O conhecimento de uma língua está ligado à história de vida
das pessoas. Outro aspecto a ser considerado é que, geralmente, desenvolvemos
habilidades em domínios linguísticos diferentes em cada língua que conhecemos,
um exemplo é o bilinguismo do típico falante de herança. Geralmente essa pessoa
tem conhecimento do vocabulário de uso cotidiano nas circunstâncias familiares,
mas encontra dificuldade para utilizar a língua numa circunstância formal ou
para discutir um assunto específico.
· Pessoas bilíngues falam sem sotaque.
É muito mais
comum encontrar pessoas bilíngues que têm sotaque. Importante entender que ter
ou não um sotaque não determina a habilidade linguística de uma pessoa.
- · Verdadeiros bilíngues adquiriram duas ou mais línguas na infância.
As crianças
podem ser educadas para serem bilíngues, no entanto, se elas não utilizam as
línguas a que foram expostas podem passar pelo processo de esquecimento e de
perda linguística. Outra questão é que não
é preciso aprender uma língua desde criança para adquirir conhecimentos
suficientes para utilizá-la cotidianamente. Os adultos e adolescentes também
adquirem competência para se comunicarem em uma segunda língua. O aprendizado
de uma língua depende de vários fatores como tempo de exposição cotidiana, tipo
de exposição, motivação e necessidade de uso.
- · Uma criança deve ser exposta, no máximo, a duas línguas.
Não há limite
do número de línguas a que uma criança pode ser exposta. O importante é avaliar
a quantidade e a qualidade da exposição para a manutenção e o desenvolvimento
das línguas escolhidas.
· Expor crianças a uma língua de herança terá um efeito
negativo na aquisição da língua utilizada na escola. Ou, expor a criança a duas
ou mais línguas desde o nascimento causará algum atraso em seu desenvolvimento.
Embora alguns
pais relatem a impressão de que seus filhos, inicialmente, vivem algum tipo de
atraso no desenvolvimento da linguagem, as pesquisas científicas dizem que não há relação de atraso no desenvolvimento
linguístico devido ao fato de uma criança ser bilíngue. Pelo contrário, as
indicações atuais são de que as crianças bilíngues, com o passar do tempo, têm
maior facilidade ao manejar habilidades metalinguísticas.
- · Crianças criadas na mesma família desenvolverão um mesmo nível de proficiência como falantes de herança.
Não se deve
esperar que os filhos tenham as mesmas habilidades linguísticas. Cada um
desenvolverá um percurso próprio de aprendizado.
Lembremos que a
manutenção e o desenvolvimento da língua de herança estão relacionados ao valor
que a família e a comunidade dão para essa língua. Os fatores determinantes são
a necessidade de uso e o tempo e a qualidade de exposição a que o falante tem
acesso. É a necessidade de interação com as pessoas no cotidiano (falar,
brincar, cantar, ouvir, ler, contar, etc.) que determinará a manutenção de uma
língua.
Texto publicado no Gazeta Brazilian News e no SALA
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
O Português como Língua de Herança: questões iniciais
Uma língua de herança é
aquela utilizada com restrições (limitada a um grupo social ou ao ambiente
familiar) e que convive com outra(s) língua(s) que circula(m) em outros setores,
instituições e mídias da sociedade em que se vive. Acredito que o
bilinguismo infantil na situação de manutenção da língua falada em ambiente
familiar, a língua de herança, é uma escolha e responsabilidade dos pais. A
família precisa esforçar-se para a manutenção dessa língua minoritária,
buscando informação sobre o que é bilinguismo e pedindo ajuda à comunidade em
que vive (governo, professores, escola, parentes próximos e distantes, amigos,
etc.) de modo a romper com mitos e a cultivar a língua de herança na criança.
Tenho pesquisado o Português como Língua de Herança
(PLH) e a construção de um currículo que contemple as especificidades desse
aprendiz de modo que ele desenvolva as habilidades de fala, escuta, leitura e
escrita na língua familiar e ainda desenvolva o pertencimento na cultura em
língua portuguesa. O currículo compõe-se a partir de como professor e aluno
entendem as dinâmicas sociais, políticas, culturais, intelectuais e pedagógicas
a que estão sujeitos. Entendo currículo como um composto complexo de valores e
de proposições que norteiam a interação entre professor e aluno, como também a interpretação
sobre o que acontece durante este encontro expresso pela língua-cultura.
O conceito central que norteia o currículo de PLH que
desenvolvo é o de língua-cultura, no entender de que a língua é um dos modos
pelos quais nos constituímos humanos, com o qual produzimos sentido ao que
somos e ao que queremos expressar. E cultura, tudo o que o ser humano toma para
si e transforma. Também se faz necessário o esclarecimento de que entendo texto
como toda forma de expressão, desde uma notícia de jornal, uma escultura,
inclusive um gesto, um modo de vestir, etc.
Ao discutir um currículo de PLH coloco-me algumas
questões: Há um objetivo limitado para o desenvolvimento das habilidades de
fala, escuta, leitura e escrita em PLH? Que tipos de leitores e escritores
queremos formar por meio de nossa ação pedagógica em PLH? Como proceder na
seleção de textos dessa língua-cultura: quais são os textos fundamentais no
aprendizado da PLH?
O intuito de selecionar e organizar toda a herança
dessa língua-cultura passa pela busca do entendimento do que é típico de nossa
linguagem, de nosso humor, de nosso comportamento, de nosso modo de vestir, de
nossa literatura, etc. No entanto, aquilo que é típico pode expressar um
estereótipo e não representar a complexidade de ser e de se expressar na
língua-cultura. Portanto, há que se apresentar a língua-cultura de forma
dialógica, em que a busca pela representação da complexidade seja um método de
seleção de textos. Neste contexto, a língua não pode ser pensada dissociada da
cultura, e seu ensino não pode estar limitado à dimensão estrutural de sua
gramática.
Para isso, tenho selecionado textos variados, orais e
escritos, a partir de bens culturais como literatura, música, artes visuais,
dança, folclore, entre outros, visando à variedade de registros. Neste
currículo, os textos não são pretextos para o aprendizado da estrutura da
língua, mas os meios de interação e de relação com a língua-cultura para que os
aprendizes tenham acesso a uma complexa gama de expressões. A partir delas, as
interações entre professor e aluno visam a que os alunos tornem-se sujeitos que
falem, ouçam, leiam e escrevam suas próprias expressões na língua-cultura.
Essas concepções têm-me auxiliado na composição e na
reflexão de um currículo inicial de PLH, cujo intuito é a criação de
uma relação de pertencimento desta língua-cultura e a manutenção e o
desenvolvimento das habilidades linguísticas dos aprendizes.
segunda-feira, 9 de julho de 2012
Nossa vida como ela é?
Este ano,
diversos eventos no Brasil comemoram o centenário de nascimento do escritor
Nelson Rodrigues. Nascido em 23 de agosto de 1912, em Recife, onde viveu apenas
até os 4 anos de idade, sua família migrou para o Rio de Janeiro.
Nelson trabalhou em vários jornais. Além de se tornar um importante cronista,
destacando-se também como cronista esportivo, ele escreveu folhetins, contos,
romance e teatro. Foi neste gênero que construiu uma
obra que ele mesmo classificou como um “teatro desagradável”, por representar personagens
em situações limite, mas que o consagraram como o maior dramaturgo brasileiro.
Morreu aos 68 anos, em 21
de dezembro de 1980, de trombose e insuficiência cardíaca, sem presenciar seu
prestígio. Aliás, ouviu a vaia do público algumas vezes, e na ocasião de
encenação de sua peça Senhora dos Afogados, em 1954, disse: Queria
desagradar muito mais. A vaia parcial a Senhora dos Afogados parece-me
insuficiente. Só me sentirei bem quando merecer uma vaia total.
O teatro rodrigueano apresenta
um universo em que a pureza não tem lugar. Nele, as personagens expõem seus
demônios internos e imprimem uma visão pessimista do autor sobre as
possibilidades de realização afetiva do ser humano. Assim, só podemos encontrar
desfechos infelizes nas histórias dos tantos casais e amantes de suas 17 peças.
Vale destacar que entre elas apenas uma tem final feliz, peça que chamou de Anti-Nelson
Rodrigues. A ironia do título é autoexplicativa: só mesmo na obra em que o
autor se propõe à contradição, poderíamos encontrar uma cena final em que as
personagens se beijam! No
entanto, a falsidade desse desenlace é evidenciada pela nota do
autor para que os atores beijem-se como nos filmes antigos, porque se fosse
uma cena real...Ao saborearmos suas peças, as ironias e sarcasmos não devem
passar desapercebidos.
Nelson apropriou-se de
técnicas do melodrama, compondo uma ação veloz, pontuada por revelações
surpreendentes e reviravoltas súbitas. Suas histórias lidam sempre com
situações extremas e ações extraordinárias. As personagens são,
necessariamente, criaturas movidas por forças obscuras e densas. Isso tudo se
traduz – no palco ou nas páginas de contos, romances, e crônicas – em uma expressão
sobrecarregada. As rubricas e descrições do autor referem-se detalhadamente às
atitudes, aos gestos, aos comportamentos corporais e às ressonâncias vocais.
Consequentemente, são representados seres destemperados, comumente em
discussão, estendendo as mãos em súplica, prostrando-se aos pés uns dos outros,
atirando-se ao chão, emitindo gritos, clamando soluções. Esses extremos fizeram com que o amigo Manuel
Bandeira o questionasse:
“Nelson, por que você
não escreve sobre pessoas normais?”, perguntou Bandeira. E Nelson, levantando
as mãos ao céu: “Mas, meu querido Bandeira, eu escrevo sobre pessoas como você
e eu!” (Ruy Castro. “Prefácio a Nelson Rodrigues” in O melhor do romance,
contos e crônicas. São Paulo: Companhia das Letras, 1993.)
Só nos resta ler e questionar: O que
há de nossas vidas em suas obras?
Confira este artigo publicado na coluna Nosso Idioma, do Gazeta Brazilian News...
segunda-feira, 18 de junho de 2012
quinta-feira, 14 de junho de 2012
Aula desta semana: Volpi e festa junina
Nesta aula, as expectativas de aprendizagem eram:
O reconhecimento fônico e gráfico do alfabeto em língua portuguesa
(escrita do nome e reconhecimento de vogais);
Trabalho com dicção de sons em língua portuguesa;
Aumento do vocabulário em língua portuguesa;
Trabalhar os conhecimentos de música, folclore, artes visuais e
literatura por meio do tema Festa Junina;
Criar uma relação de identidade com o ser brasileiro (língua-cultura);
A aula hoje se concentrou na aquisição do vocabulário sobre elementos
comuns nas festas juninas, a confecção do cartaz para trabalhar vocabulário foi
eficaz. A música criou um envolvimento e serviu como suporte de memorização.
Aproveitei para apresentar o ritmo forró e para introduzir a cultura do Brasil
rural. Também projetei obras de Alfredo Volpi e eles compararam as bandeirinhas
e o uso de cores e formas.
Grande abraço
Ivian
terça-feira, 29 de maio de 2012
De grão em grão...
Olá a todos!
Nas conversas sobre bilinguismo e língua de herança que tenho organizado com as famílias, uma questão comum é: Quais livros em português oferecer para as crianças lerem?
Vale lembrar que a leitura (mesmo que alguém leia para a criança) e o reconto da estória (feito pela criança) são atividades muito eficazes para a manutenção da língua de herança, pois envolvem uma participação ativa na interação linguística.
Em meu trabalho com língua de herança, proponho que o ensino-aprendizagem faça conhecer, interpretar, usufruir e produzir diversos objetos culturais brasileiros. Para isso, utilizo bens culturais como literatura, música, artes visuais, dança, folclore, entre outros.
Para as crianças que já iniciaram a ler indico uma seleção de livros de literatura infantil brasileira feita por professores. Cliquem e imprimam!
Cada vez que vou ao Brasil, ou quando alguém da família vem nos visitar, mais um livro é adicionado à nossa biblioteca...
Uma língua se sustenta e se desenvolve cotidianamente. De grão em grão...
Lista de livros de literatura infantil em português
Nas conversas sobre bilinguismo e língua de herança que tenho organizado com as famílias, uma questão comum é: Quais livros em português oferecer para as crianças lerem?
Vale lembrar que a leitura (mesmo que alguém leia para a criança) e o reconto da estória (feito pela criança) são atividades muito eficazes para a manutenção da língua de herança, pois envolvem uma participação ativa na interação linguística.
Em meu trabalho com língua de herança, proponho que o ensino-aprendizagem faça conhecer, interpretar, usufruir e produzir diversos objetos culturais brasileiros. Para isso, utilizo bens culturais como literatura, música, artes visuais, dança, folclore, entre outros.
Para as crianças que já iniciaram a ler indico uma seleção de livros de literatura infantil brasileira feita por professores. Cliquem e imprimam!
Cada vez que vou ao Brasil, ou quando alguém da família vem nos visitar, mais um livro é adicionado à nossa biblioteca...
Uma língua se sustenta e se desenvolve cotidianamente. De grão em grão...
Lista de livros de literatura infantil em português
domingo, 1 de abril de 2012
II Curso do Programa de Formação de Professores de Português como Língua de Herança – Etapa de Miami
O Consulado-Geral do Brasil em Miami promoverá, entre
os dias 20 a 22 de abril próximo, na Universidade Internacional da Flórida
(FIU) em Miami, um curso para professores de Português como Língua de Herança (PLH).
O curso será gratuito, terá carga horária
de 25 horas e admitirá até 50 alunos, selecionados mediante análise de
currículos, os quais deverão ser enviados ao endereço eletrônico da Divisão de
Promoção da Língua Portuguesa (DPLP) – dplp@itamaraty.gov.br . O prazo
final para as inscrições é 5 de abril de 2012.
Nele, vou discutir minhas pesquisas no mestrado que faço na FIU sobre a construção do currículo de PLH e compartilhar minha experiência com alfabetização e letramento de crianças bilíngues. O evento, preparado e
coordenado pela Professora Doutora Edleise Mendes, da Universidade
Federal da Bahia, incluirá também exposições da Professora Doutora Clémence
Jouët-Pastrè, da Universidade Harvard. Os certificados do curso serão emitidos pela
Universidade de Brasília (UnB).
Assinar:
Postagens (Atom)
