sábado, 10 de dezembro de 2011

A MALA


(Este texto foi publicado pelo jornal Gazeta Brazilian News no dia 09 de dezembro de 2011)


Um dia, uma professora inexperiente, porém inquieta por atiçar a fagulha do prazer de ler em seus alunos, comprou uma mala. Nela, colocou os livros de poemas que mais gostava de ler e partiu para a sala de aula. Lá chegando disse: - Aqui compartilho aqueles que eu leio por prazer. Desafio encontrarem pelo menos um poema de que gostem e queiram compartilhar também.
O que aconteceu, não sabia explicar, mas naquele dia os alunos abriram os livros curiosos. Uns conversavam sobre o que liam, outros procuravam em silêncio, mas todos, sem exceção, liam poemas.


            Esta crônica representa uma ideia simples, poderosa e que todo mundo sabe: ler é bom. Porém, o que é novo na atitude da inquieta professora é que muitas vezes, nós, pais e professores, geralmente falamos sobre como ler é bom, mas quantas vezes oferecemos um livro interessante para que nossos filhos e alunos leiam por prazer, livremente?
Nas últimas décadas, há muitas pesquisas que comprovam as vantagens da leitura livre para o desenvolvimento das habilidades de ler e escrever, da manipulação da gramática e do vocabulário, como também para todas as tarefas que exigem interpretação. Essas vantagens são percebidas na aprendizagem da língua materna ou de uma segunda língua, em crianças e em adultos, quando passam a ler livros livremente, por prazer.
As pesquisas também mostram que é desnecessário dizer para crianças e jovens que ler é bom, a massiva maioria concorda e, criadas as circunstâncias, eles lerão. A tarefa que nos cabe então é criar a circunstância (que se tornará um círculo vicioso): dar acesso a livros interessantes e deixar que leiam fará com que queiram ler mais.
Agora, pensemos o quanto isso pode ser vantajoso no ensino da língua de herança para nossos filhos e alunos. No entanto, aqui, a questão do acesso torna-se ainda mais problemática e desafiadora para p)﷽﷽﷽﷽﷽﷽﷽﷽riar umlerão. A tarefatura infantil parentes. Sempre que me perguntam que presente dar a meus filhos eu respondo, livrais e professores.
Além de comprar livros em todas as viagens ao Brasil, uma solução que encontrei para alimentar minha pequena biblioteca em língua portuguesa são as visitas de parentes. Sempre que um parente que vive no Brasil me pergunta qual presente dar a meus filhos eu respondo: literatura infantil (de qualquer país), mas em língua portuguesa.
Mas também poderíamos encarar o desafio do acesso coletivamente, como uma comunidade. Primeiro, criar formas de fomentar as bibliotecas das escolas que nossos filhos frequentam com livros em nosso idioma; segundo, criar bibliotecas comunitárias em língua portuguesa, que podem, inclusive, ser móveis e viajarem por aí, como se fossem gigantescas malas de livros.
Ler é bom porque as palavras precisam ser preenchidas por nossa imaginação. Ler é bom porque é prazeroso envolver nossas sensações em um outro ser e estar que não tem os limites da nossa realidade. Vamos fazer nossas malas?

·      Se você quiser ler uma pesquisa sobre a leitura livre:

Stephen D. Krashen. The Power of Reading: Insights from the research. USA: Libraries Unlimited.

·      Podemos também utilizar os novos suportes (computadores, tabletes e telefones) para oferecer bons livros para nossos pequenos leitores. Confira:


segunda-feira, 31 de outubro de 2011

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Entre dois Mundos (novo texto no Gazeta Brazilian News)


Como muitos imigrantes nos EUA, os brasileiros comumente vivem entre dois mundos: o privado, em que falam português e no qual tentam preservar alguma identidade cultural, e o público,  em inglês. Dessa forma, muitas famílias preocupam-se com a habilidade de seus filhos em manipular a língua portuguesa, sejam eles nascidos no Brasil ou não. É uma questão de identidade, de preservação dos laços familiares e de oportunidades futuras.
Nós, pesquisadores, chamamos de Língua de Herança essa língua que circula com restrições, limitada a um grupo social ou ao ambiente familiar, e que convive com outra língua predominante que circula socialmente em mídias e instituições.
  É muito comum os falantes de herança” aprenderem o vocabulário utilizado no ambiente familiar e, quando não recebem instrução formal, delimitarem-se apenas ao conhecimento desse registro oral. Para desenvolver a capacidade oral e escrita em vários registros linguísticos diferentes, incorporando traços de uma variante linguística de prestígio, é preciso receber instrução.
            Geralmente, após iniciar a imersão escolar em inglês observamos uma mudança na língua dominante de nossos filhos. A língua maternal, no nosso caso o português variante brasileira, passa a ser menos utilizada e torna-se a “língua fraca”. Essa situação se acelera quando os pais acreditam que falando inglês com seus filhos, ajudarão no bom desempenho deles na escola. É importante sabermos que nas pesquisas realizadas aqui nos EUA, essa crença parece não se mostrar verdadeira: o fato de os pais falarem inglês com seus filhos não garante que eles tenham melhor desempenho escolar, no entanto isso contribui para que nossos filhos percam sua língua de herança.
            Os estudos indicam que é melhor que os pais mantenham a língua materna, pois como eles a conhecem melhor (geralmente possuem habilidade linguística de nativos), podem proporcionar um contato mais rico e mais elaborado com essa língua que dominam. Preservar a língua do mundo familiar é uma questão de identidade, mas também de criar oportunidades para as crianças continuarem o desenvolvimento cognitivo e emocional (autoestima) em sua língua de herança.
            Viver entre dois mundos linguísticos requer cuidados, mas é importante lembrarmos que uma língua não é uma disciplina escolar, é um objeto cultural que faz comunicar, criar intercâmbios. Aproveitemos as oportunidades para enriquecer o contato com o português em nosso mundo familiar ao utilizá-lo em sua função concreta de estabelecer relações: escrever um bilhete, ler um jornal, comentar um programa de televisão, etc.
            De forma criativa e alegre, vamos procurar oferecer textos de vários contextos e registros e utilizá-los para conversas e brincadeiras com nossos filhos?  


http://gazetanews.com/colunas/entre-dois-mundos-nosso-idioma/

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Os falantes invisíveis




Somos 300 mil brasileiros na Flórida, segundo relatório de 2010 do Ministério das Relações Exteriores (Brasil), e uma das nossas necessidades é a ampliação da oferta do ensino de português para nossos filhos nas escolas. Como educadora e pesquisadora, tomei a questão como um desafio e iniciei uma pesquisa sobre falantes de português nos EUA.
Debrucei-me sobre dados recentes do U.S. Census comparando-os com o relatório “Brasileiros no Mundo” do Ministério das Relações Exteriores (Brasil). A disparidade entre eles é intrigante.
Havia, segundo o censo americano, 661.437 falantes de português vivendo nos EUA em 2008. Esse número refletiria os falantes de português provindos de todos os países: Portugal, Brasil, Angola, Cabo Verde, Timor Leste, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe. No entanto, segundo o relatório do MRE de 2008, a estimativa apenas de brasileiros era de 1.278.650 (número baseado em serviços prestados pelos postos consulares). No último relatório do MRE seríamos atualmente 1.388.000 brasileiros nos EUA.
Por que tantos falantes de português não aparecem na contagem americana? Uma implicação direta dessa invisibilidade é a significativa falta de escolas que oferecem o português como programa complementar ou como educação bilíngue.
Considero algumas hipóteses para explicar essa invisibilidade intrigante. Uma, é de que muitos brasileiros não participam do Censo americano por medo de que seus dados sejam revelados. O que dizer a esses brasileiros? Os dados do Censo são protegidos por leis rigorosas e esse medo mostra-se irracional.
Levanto ainda a hipótese de que alguns falantes de português não se classificam corretamente ao responderem à pesquisa. o se classificam corretamente ao responderem a folhaorreta. jam revelados. Mas sabemos que os dados do Censo sPrimeiramente porque os brasileiros não representam uma categoria clara e acabam misturados à classificação de Hispanic or Latino na folha de respostas. A segunda questão é que muitos falantes de português classificam-se erroneamente no critério “língua falada em casa”.
Sim, desde criança nos ensinam que somos integrantes da América Latina, mas para o Censo americano a categoria Latino refere-se aos povos de cultura espanhola. Portanto, quando nos assinalamos como Hispanic or Latino na folha de resposta, estamos deixando de ser contados como um povo que pertence à cultura dos falantes de português.
A outra hipótese para explicar porque somos invisíveis nos EUA é de que muitos falantes de português marcam incorretamente a opção “língua falada em casa” . Na folha da pesquisa americana aparece a opção língua indo-europeia”, na qual se encaixa o português. Mas acredito que muitos se classificam na opção “outras”. A implicação disso tudo: nossos impostos não se destinam para escolas oferecerem o ensino de português.
Nossos filhos apenas desenvolverão a capacidade plena de usar a língua portuguesa em seus diversos registros se receberem instrução. É preciso organizar grupos e mostrar essa necessidade nas escolas de nossa região. Somos muitos, mas somos minoria. Nossas necessidades precisam ser contempladas, mas primeiro, precisamos nos tornar visíveis e nos fazer ouvir. 

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Novo espaço entre dois mundos


Oi pessoas que vivem entre dois mundos: o privado, em Português, e o público, em Inglês…
Compartilho com vocês mais um espaço em que iremos discutir o ensino de Língua Portuguesa fora do Brasil... A partir das próximas semanas, a AOTP (American Organization of Teachers of Portuguese) passará a contribuir para o novo site do Gazeta Brazilian News (gazetanews.com) com dicas, reflexões e informações sobre a promoção da língua portuguesa. Abordaremos a questão que acompanha muitas famílias que criam seus filhos fora do Brasil: como manter a língua e cultura brasileiras paralelamente à educação dos filhos?
Como parte da diretoria da associação, comprometo-me a acatar angústias e questões que nossa comunidade de amigos tenham a endereçar... envie suas ideias para meu email (idestro@yahoo.com.br ou ivianalfa@gmail.com ) ou deixe um comentário aqui no blog (para quem conseguir! hahaha!)...
Grande abraço!

terça-feira, 19 de julho de 2011

A escrita não é um produto escolar

Acompanho a ansiedade de alguns pais para que seus filhos passem a receber logo um ensino sistematizado de leitura-e-escrita, o que geralmente inicia-se para alunos entre os 5 e os 6 anos. Devemos ter consciência de que embora as crianças menores não estejam aprendendo formalmente a ler-e-escrever, elas também estão desenvolvendo esse aprendizado...ele começa em casa, na rua, no museu, no cinema, nos cartazes da escola etc.
A escrita não é um produto escolar, mas sim um objeto cultural, resultado do esforço coletivo da humanidade. Como objeto cultural, a escrita cumpre diversas funções sociais e tem meios concretos de existência (especialmente nas concentrações urbanas). O escrito aparece, para a criança, como objeto com propriedades específicas e como suporte de ações e intercâmbios sociais. Existem inúmeras amostras de inscrições nos mais variados contextos (letreiros, embalagens, tevê, roupas, periódicos etc.). Os adultos fazem anotações, leem cartas, comentam os periódicos, procuram um número de telefone etc. (Emilia Ferreiro, Reflexões sobre alfabetização. São Paulo: Cortez, 2010.)
As crianças desde cedo mostram-se muito curiosas sobre a linguagem escrita e passam a criar hipóteses para compreendê-la. Heitor, meu filhote de 3 anos, está muito curioso pelas letras e aponta-as e exclama algumas delas o tempo todo... e o Victor, de 1 ano, para imitá-lo, começou a apontar cartazes (logicamente, ele não faz distinção entre letras e figuras, se o fizesse, eu o mandaria para Harvard no próximo semestre!!!)
Estamos imersos num mundo de palavras, preste atenção nas hipóteses que seu filhote faz sobre elas. Você pode começar como um jogo de adivinhas: crie uma brincadeira com títulos de livros que vocês leem comumente, desafie-o a interpretar as palavras... mas, por favor, com muita fruição e sem burocracia! 

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Conversa com minha pequena amiga Luana, ou, o que é Literatura?


-Tia Ivian, você é professora de quê?
-No Brasil, eu era professora de Literatura.
-O que é Literatura?
-Literatura é a reunião de certos livros que as pessoas escrevem. Esses livros são especiais e com o tempo cada vez mais as pessoas os querem ler. Às vezes eles são especiais porque contam a história de um jeito envolvente, outras vezes de um jeito diferente, brincando com o jeito de contar. Esses livros podem ser de poemas, de histórias longas, de histórias curtas, de reflexões sobre as coisas da vida... tem uma porção de formas de escrever Literatura. É importante na Literatura o jeito de escrever, como as palavras estão arranjadas no texto: às vezes de um jeito bonito, outras emocionante, ou também de um jeito que intriga as pessoas, deixa elas pensando...
Pequena amiga, gostei muito da nossa conversa e ela continuou dentro de mim...
Gostaria de lhe dizer que a Literatura nasceu da necessidade que as pessoas têm de contar histórias, sempre reinventando as coisas que acontecem ou inventando coisas fantásticas que só podem acontecer no mundo da imaginação e das palavras.
Lembrei-me também de que você já conhece muitas histórias da Literatura. Você já leu Chapeuzinho Vermelho, A branca de neve, A cinderela ou O pequeno polegar? Todas essas histórias foram inventadas há muito tempo pelos Irmãos Grim e são lidas e recontadas desde então porque as pessoas acreditam que elas são muito boas e por isso são chamadas de Literatura.
         Até a próxima!

Ah! Visite o site da autora brasileira Ruth Rocha. Lá você vai encontrar alguns de seus livros, jogos com palavras e outras viagens interessantes.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Polêmica sobre o livro didático brasileiro


Minha gente, tenho recebido e-mails instigando-me a comentar sobre a polêmica do livro didático no Brasil. Infelizmente, ainda não tive acesso ao livro e não posso comentar sobre o que não li... mas compartilho três links com comentários de pessoas que conheço e admiro. Duas entrevistas esclarecedoras sobre o assunto, uma do professor Dr. Ataliba Castilho (linguista, gramático e professor aposentado da USP e UNICAMP) e outra do professor Dr. José Luiz Fiorin, linguista e professor da USP. Há ainda o comentário intrigante do linguista e professor da UNB, Marcos Bagno, um mestre sobre o assunto preconceito linguístico.
Sei que é muita informação, mas para mim, esses textos colocaram todos "os pingos nos is".
A bênção professores!




Obs: si ocê quisé passá lá em casa pra dois dedinho de prosa sobre o assunto, tem sempre bolo e café cum leite prá animá a tarde. Afinar, é bom sê caipira, sô!

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Tupi or not Tupi...

Preparei uma apresentação sobre Oswald de Andrade para o Boletim da AOTP.
Afinal, brasileiros e brasileiras... quem não for antropofágico, será devorado!
Brasileiros e brasileiras de qualquer canto

domingo, 8 de maio de 2011

Minha gente, Macunaíma foi conhecer Washington!

Brasileiros e brasileiras... é que me aventurei pelas plagas da Georgetown University para encontrar gente que fala a minha língua (a língua dos literatos, claro, porque português quase todos os vendedores dos shoppings de Miami já estão falando – hahaha!).
Participei de uma Oficina sobre Português como Língua de Herança (PLH) em Washington e aqui compartilho algo:
Os aprendizes de herança foram expostos a uma língua-cultura com a qual mantêm uma conexão pessoal. Essa língua não aprendem na escola, mas em casa, com a família. Falam, ou não (apenas entendem) e geralmente não a escrevem.
Segundo as professoras Dra. Clémence Jouêt-Pastre (Harvard University) e Dra. Gláucia Silva (University of Massachusetts, Dartmouth), o grande desafio que esses sujeitos enfrentam é o desenvolvimento dos registros formais da língua falada e escrita.
No caso dos filhos dos imigrantes daqui (EUA), o inglês é a língua da escolaridade, portanto terão acesso a seus vários registros (escrito formal urbano, escrito informal, falado formal culto, falado informal, etc). Dessa forma, nossos filhos serão linguisticamente eficientes na língua escolar (o inglês) nos mais variados contextos sociais.
No caso dos aprendizes de herança o que ocorre, geralmente, é conviverem apenas com o registro oral informal do ambiente familiar e serem ineficientes nos outros registros.
E agora, jacaré? Bem, Macunaíma saiu do Amazonas, arriscou-se em sua odisseia em busca da muiraquitã, foi para São Paulo e conheceu os registros e a variedade cultural brasileira... Nossos pequenos, às vezes sapecas que nem o herói, devem seguir a trajetória de Macunaíma e ter acesso aos mais variados registros culturais (falado, escrito, formal, informal, etc)...
Sigamos a perspicácia de Mário de Andrade: em matéria de identidade e de cultura a diversidade é riqueza! 
Aqui vai mais sobre PLH:

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Desafio

xilogravura: Desafio rabeca e viola

O folclore brasileiro é um riquíssimo depósito de conhecimento humano a respeito de vida e do mundo, como afirmou Ricardo Azevedo, escritor e pesquisador. Além das parlendas e quadras, o folclore brasileiro está repleto de adivinhas, desafios que geralmente iniciam com – o que é, o que é? Lembro-me com saudade dessa brincadeira comum em nossa infância, nas viagens para o sítio. Esse jogo lúdico (que brinca com a linguagem, com a memória e com a associação) aproxima pais e filhos, como também estreita os laços com a língua. Desafio:

O que é, o que é:
Que coisa, que coisa é
Passa a vida na janela
E mesmo dentro de casa
Está fora dela?

O que é, o que é:
É água e não vem do mar
Nem na terra não nasceu
Do céu ela não caiu
Todo mundo já lambeu?

Aqui vai uma ótima fonte de pesquisa sobre cultura popular brasileira: http://www.ricardoazevedo.com.br/menu.htm

Respostas: botão; lágrima.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Parlendas: você se lembra de uma?

Um vizinho sempre brinca com o Heitor: -Knock, Knock? Who´s there? (brincadeira linguística típica da língua inglesa: Toc, Toc? Quem é?). Os jogos linguísticos nascem na coletividade, são transmitidos pelas gerações e fazem parte de uma  identidade cultural como as parlendas e as quadras do folclore brasileiro
As quadras são brincadeiras de quatro versos como:
Lá no fundo do quintal
Tem um tacho de melado
Quem não sabe cantar verso
É melhor ficar calado.
(extraído de Armazém do Folclore de Ricardo Azevedo)
Já as parlendas são arranjos rítmicos que buscam ensinar algo ou entreter, como Hoje é domingo, pede cachimbo....
Brincar com esse repertório da oralidade é um modo de introduzir nossos pequenos ao universo da poesia com suas rimas e jogos. Aqui vai um link para uma coletânea de parlendas e quadras para os brasileiros que já se esqueceram de brincar com as palavras. coletânea de parlendas e quadras

segunda-feira, 21 de março de 2011

Repertório da oralidade


Pessoas queridas vêm contribuindo para o blog. Dalila lembrou-me das concepções e experiências de nosso professor e amigo Claudemir Belintane (Pedagogia USP). Contar histórias e pedir para os pequenos recontá-las ajudando-os a perceberem o sentido de progressão; selecionar músicas do cancioneiro nacional, adivinhas e trava-línguas para memorizar e brincar. Por estarmos distantes do Brasil, compete a nós, pais, transmitirmos esse repertório de músicas, trava-línguas, parlendas e histórias. Reproduzo um trecho de uma entrevista com o Prof. Dr. Claudemir Belintane extraída da internet:
Quais relações propiciadas pela oralidade podem ser úteis mais tarde no domínio da leitura e da escrita?A oralidade é esse conjunto de textos que a tradição vem peneirando ao longo do tempo e tornando cada vez mais bonitos e interessantes. A narrativa tem uma contribuição fundamental, trazendo essa progressão textual, vocabulário, o volume de texto manejado na memória. A narrativa é um grande estruturador da memória, não só na infância como na própria tradição das culturas. Os textos poéticos são o inverso. As brincadeiras todas que as crianças fazem são textos poéticos, como o trava-língua, que é musical, tem o efeito da paronomásia, efeitos de estilo. As parlendas trazem o non sense como trabalho com a beleza do significante, e também destacam a palavra, escandindo-a, isolando fragmentos.
Aqui vai o link para a leitura integral da entrevista que o Prof. Dr. Claudemir deu comentando alfabetização e oralidade: entrevista

quinta-feira, 10 de março de 2011

Provocação


Durante 1 semana preparei uma apresentação sobre o Carnaval para os colegas do Heitor (todos têm 3 anos e estão num contexto multicultural – na sala, ao todo, são 6 línguas faladas). Estava ansiosa quando alguém exclamou: mas eles são apenas crianças de 3 anos!!!
A infância é um conceito historicamente construído e a criança, por muito tempo, não foi vista como um ser em desenvolvimento, com características e necessidades próprias.
No século XIII, atribuía-se à criança sentimentos e pensamentos anteriores à razão. No séc XVI, um marco importante foi a criação da escola como período de preparação para se integrarem ao mundo dos adultos. No entanto, nesse momento as crianças ainda eram consideradas adultos imperfeitos. No Sec XVIII, Rousseau promoveu uma revolução ao afirmar que a criança é um ser com características próprias em suas idéias e interesses. Formulou princípios educacionais que inspiram os pedagogos até hoje por afirmar que a verdadeira finalidade da educação era ensinar a criança a viver e a aprender a exercer a liberdade.
No século XX, muitos pedagogos e psicólogos contribuíram para cada vez mais respeitar-se esse período singular. As crianças não são ❝páginas em branco a serem preenchidas❝, elas sentem e pensam o mundo, num trabalho de significação e ressignificação. Elas têm um jeito próprio de construírem conhecimento utilizando as mais diferentes linguagens e exercendo a capacidade de  terem idéias e hipóteses originais sobre aquilo que procuram desvendar.
Aqui vai uma foto do Heitor, com 1 ano e meio, produzindo conhecimento e desenvolvendo sua sensibilidade artística:

quinta-feira, 3 de março de 2011

Brincar


Ontem, pela primeira vez montamos um lego para o Heitor… na realidade a tia Ana e o Arthur que dominam no assunto vieram aqui e tivemos a idéia de montar o brinquedo (para o qual não tenho habilidade desenvolvida ainda). O Heitor ficou meio cabreiro no começo, mas depois adorou e ficou um bom tempo brincando na estação de bombeiro.
Fiquei refletindo sobre como é importante oferecer experências diversificadas de brincadeiras, por isso, visitar os amigos é uma opção interessante para expor nossos filhos a outras situações brincantes.
A brincadeira favorece a auto-estima das crianças, auxiliando-as a superar progressivamente suas aquisições de forma criativa. Brincar contribui, assim, para a interiorização do conhecimento do mundo e de  determinados modelos de adulto. É por meio da brincadeira, uma atividade espontânea e imaginativa, que as crianças recriam o que sabem e estabilizam seu mundo interno. (adaptado do Referencial Curricular Nacional para  a Educação Infantil, Brasil, 1998)
Aqui vai um link sobre a importância do brincar na educação infantil brincar ed infantil

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

nome próprio

Olá! Fiz um cartaz colorido com o nome do Heitor e pendurei em seu quarto (coisa simples, com letras e papel comprados no mercado). Identificar o próprio nome é um dos primeiros passos no universo das letras... De vez em quando, quando estamos brincando ou escutando música, pego o cartaz e pergunto o que está escrito e leio para ele apontando as letras que pronuncio. Faço de modo que não seja uma intervenção séria, mas parte da brincadeira.

Andei pesquisando sobre alfabetização na educação infantil e encontrei link que pode trazer reflexões para as mamães mais ansiosas... confiram!
alfabetização na ed infantil alfabetizacao-inicial

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

"ler com o dedo"

Oi! Meu filhote tem 3 anos e a partir de agora começamos a ler os livros em português apontando para as sílabas que estamos lendo. Escolho os livros com textos curtos...
Ontem ele fez sua primeira hipótese no mundo da língua escrita: escolheu um livrinho da Turma da Mônica chamado "A caixa" que às vezes lemos para ele; quando ele sentou do meu lado eu perguntei o que estava escrito no título e ele acertou! Claro que não leu, ele criou a hipótese de que o livro tem esse nome porque já o li várias vezes apontando as sílabas...
Na realidade, esse exercício é interessante por despetar o interesse pela escrita, por apresentá-la como um meio de comunicação. Não é importante que ele acerte, mas que ele procure desvendar o código escrito que para ele é um enigma.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Ambiente alfabetizador

Crianças de 0 a 6 anos que convivem com um "ambiente alfabetizador" aprendem com mais facilidade a língua escrita.
Para construir e contribuir com o processo de alfabetização de nossos filhos é importante que eles convivam com os usos cotidianos da língua escrita.  Deixar que eles presenciem nossos hábitos de leitura e escrita como ler jornal, revista, escrever bilhetes, fazer listas, entre outros...